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O dado histórico nos mostra que as circunstâncias em que ocorreram a independência do Brasil mostra a luta de dois poderes: por um lado os que eram a favor da independência residentes no Brasil e usufruidores de vantagens econômicas e, por outro, a corte portuguesa ansiosa para não perder mais uma colônia que lhes fornecia ouro, de modo especial, e outras matérias-primas.

D. Pedro decide pela independência diante da pressão de uma elite que se colocava como representante da maioria da população quando, na realidade, representavam uma pequena minoria que vivia as custas dos pobres da nação tais como negros, índios, mamelucos, pobres e demais cidadãos.

A independência deu-se do ponto de vista político, pois do ponto de vista econômico o Brasil ainda dependeu, por um bom tempo, da Inglaterra. Principalmente para vencer os conflitos internos decorrentes dos descontentes com a situação do Brasil.

A elite que governava o Brasil na época e que, mais tarde, irá expulsar D. Pedro II para Portugal, continua a governar o Brasil por incrível que pareça. Pois o país foi se organizando de uma tal forma que os pobres continuaram sendo explorado pela classe abastada dentro de um contexto capitalista selvagem que acumula riqueza para poucos e mata de fome a maioria.

Um Brasil dividido entre pobres e ricos sempre existiu e, sempre que essa distância aumenta, tomamos consciência de que necessitamos cada vez mais de uma independência.

  • Independência para poder decidir o que é melhor para todos e não apenas para si; para poder optar pelo melhor plano de governo em tempos de eleições e não por aquele que me garantirá uma melhor sobrevivência nas vésperas das eleições, ou seja, a cada dois anos;
  • para poder escolher o que fazer da própria vida e não ser obrigado a aumentar a fila do desemprego ou o número de explorados de uma fábrica, frequentando cursos técnicos na esperança de conseguir um bom emprego;
  • independência para poder decidir com qual médico ou hospital se tratar de um câncer sem alimentar as gangues da medicina que vivem as custas do sofrimento alheio;
  • para poder frequentar praças e ruas sem medo de ser assaltado ou a próxima vítima de um estelionatário;
  • independência para poder escolher o que estudar e como contribuir na construção de uma sociedade mais justa e humana;
  • para poder apontar as falhas do executivo, do legislativo e do judiciário sem medo de ser preso por desacato a autoridade e ao funcionalismo público;
  • independência para poder mudar o que precisa ser mudado sem iludir-se  que isso se dará a partir de mensagens veiculadas pelo whatsapp;
  • para poder ter acesso a todos os serviços públicos e, neles, ser tratado com o devido respeito;
  • independência para poder pagar impostos na segurança e certeza de que eles serão utilizados corretamente, para propiciar a população uma vida mais digna, e não para o aumento das riquezas dos poucos já assinalados que desde a nossa primeira independência acreditam mandar no nosso Brasil.

Viva a Independência!

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No mês de janeiro publiquei um texto descrevendo a minha experiência como portador de um câncer de laringe com o mesmo título.

Em janeiro meu oncologista já queria me operar ( cirurgia radical com a retirada total da laringe) , mas achei por bem procurar algumas alternativas.

Estamos terminando o mês de agosto e começando setembro. Permaneci com a dieta alimentar, com a homeopatia, com a terapia somato emocional e com a bioterapia, com consultas todos os meses. O tumor aumentou, mas a previsão é que a sua diminuição comece esse mês. Estou com muita fé que isso ocorrerá. Continuei também com as visitas no oncologista que, diga-se de passagem, se mostrou muito preocupado com meu caso que mandou-me procurar um outro cirurgião para operar-me. Disse-me que estava com muitas cirurgias e que iria viajar no mês de setembro e não poderia me atender. Que bom que ele me avisou!

Embora o tumor tenha aumentado, pois trata-se de um condrossarcoma bem diferenciado, um câncer, que acomete a cartilagem da laringe. Existem apenas uns 200 casos no mundo e o médico em que fui essa tarde disse-me que em vinte anos de profissão eu era o terceiro paciente que ele atendia com esse problema específico. Não produz metástase, mas a sua localização o torna perigoso e somente a cura dá-se com a retirada total da laringe.

Mas será que perdi tempo com as outras terapias, já que o tumor aumentou paulatinamente?

A resposta é não. Apesar das crises iniciais de falta de ar, atualmente estou bem de saúde e pronto para enfrentar essa cirurgia radical que, apesar de não ser classificada com risco de morte, é delicada. Requer uns dez dias alimentando-se por sonda, alguns dias na UTI, treinamentos para se falar diferente etc. Sem a utilização dessas terapias, o meu ser, não estaria tão encorajado.

Estou partilhando aqui uma das possibilidades. Existe também a possibilidade do milagre. Por que não? Continuo com minhas novenas do Divino Pai Eterno e acrescentei orações para a beatificação de Pe Vitor Coelho de Almeida, padre redentorista de Aparecida. Assistindo a missa na Rede Aparecida, ouvi da boca do Pe João Batista, reitor do santuário, que o Pe Vitor precisa de um milagre para que a Igreja o reconheça como santo. Estou, então, a partir daquela missa, a disposição do Pe Vitor. Que ele interceda por mim. E não peço apenas para que ele me cure do tumor, mas que também que ele repare minha prega vocal direita danificada pela primeira cirurgia a três anos atrás. Pode parecer absurdo, sei que não sou lagartixa que quando perde um rabo, nasce outro no lugar. Apenas sei, a partir da fé, que o que impossível aos homens, é possível a Deus.

As orações em minha interseção continuam. São muitos grupos e pessoas que mandam energias positivas para que se cumpra em mim a vontade de Deus.  E em minhas experiências de oração aprendi que a Fé e a Oração, intensificam o efeito de qualquer medicação. Segunda-feira ( 21/08) retrasada, fui ao meu médico homeopata e levei  informações, das quais destaco a solução de um trauma de infância ( resolvido graças as sessões de terapia somato emocional – acordei as três horas da manhã e entendi o porque de minhas crises respiratórias em virtude de qualquer tipo de fumaça). Ele, pela primeira vez, não me deu o remédio em seguida (como fazia nas consultas anteriores), afirmando que iria estudar o meu caso com mais atenção. Pediu, inclusive, todos os meus exames, ressonâncias, tomografias etc.

Na sexta-feira (25/08) ele me ligou afirmando que estudara o meu caso e que era para que eu tomasse nota do remédio a ser tomado. E lá se foram mais R$ 150,00. Bem, o caso é que tomando a medicação fui sentindo um alívio progressivamente de todos meus “mal-estares” .E mais ainda, tenho a impressão de não ter nada na garganta. Será que o tumor sumiu? Não sei. Só sei que estou bem melhor que segunda-feira passada. Hoje é o ultimo vidrinho da dose única, das sete receitadas pelo Dr. Cantor – Cantor não é erro não, é o sobrenome dele mesmo – . As tomadas são antecedidas de muita oração ao Divino Pai Eterno e ao Pe. Vitor Coelho.

Agora, fui a um outro médico e ele me falou que atende pelo meu plano, mas não opera por ele. E caso eu queira fazê-lo por ele, me custará em torno de R$ 15.000,00. Isso porque eu tenho um plano. No particular ela sairia mais de cem mil reais. E achou melhor que eu retornasse ao meu primeiro médico, pois ele já conhece meu caso e que seria falta de ética  da parte dele dar prosseguimento a um tratamento começado pelo colega. E agora José? Ele sugeriu também outro hospital que,  a três anos atrás, já tinha um médico que queria cobrar por fora, embora atendesse pelo plano.

As vezes penso que uma das faces do milagre é conseguir fazer a cirurgia sem pagar nada além da mensalidade do Plano de Saúde. Eu continuo rezando e peço que vocês continuem rezando por mim. Para que Deus ilumine meu caminho, minhas escolhas e que tudo ocorra para a maior glória de Deus. E se for da vontade de Deus e do meu merecimento, que o milagre se cumpra. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se , em mim, segundo a Sua vontade!” Amém!

 

 

 

 

O mês de agosto no Brasil é destinado a reflexão sobre as vocações: missionária, matrimonial, sacerdotal e religiosa. Delas, destino algumas linhas sobre a vocação sacerdotal.

Trata-se apenas de constatação, de modo que não deve ser considerado o que aqui for afirmado como sendo um juízo de valor. O objetivo é refletir como a vocação sacerdotal vem se comportando nos dias atuais.

Poucos são chamados ao sacerdócio, tal como a Igreja o apresenta nos dias de hoje. Ou seja, se algum jovem deseja o sacerdócio, deve abster-se do matrimônio ( o que não acontece com a Igreja oriental onde o sacerdócio está perfeitamente conjugado com uma vida familiar.

No meu simples e humilde entender, a Igreja deveria abrir as portas para as duas possibilidades. A saber: formar sacerdotes celibatários, mas também formar sacerdotes que concilie o sacerdócio com uma vida matrimonial. Em outras palavras, se o jovem apresenta-se como candidato ao sacerdócio, a Igreja deveria lhe possibilitar a escolha de uma das alternativas. Se pretende ser celibatário, terá uma formação específica para tal e da mesma forma se escolher a conciliação do sacerdócio a uma vida familiar. E do ponto de vista bíblico, ambos os modos de exercício do sacerdócio apresentado, se fundamentam.

O desenvolvimento tecnológico possibilitou a Igreja proclamar a Boa Nova para mais fieis apesar da escassez de presbíteros. E, se por um lado isso é muito bom, por outro, pode levar a Igreja ao comodismo. Na medida em que, por de traz do “poucos escolhidos” , forme guetos fechados como um repolho tal como o fazem muitas categorias profissionais.

A mídia nos oferece todo tipo de padre através dos programas de adoração, piedade popular , missa e show ao vivo. Veja por exemplo o Pe Piriquito, O Pe Alessandro, Pe Marcelo, Pe Reginaldo Manzotti, Pe Antonio Maria, Pe Fábio de Melo. A Igreja está atualmente tal como um Shop center, surtidíssima em diversos produtos religiosos e tipos de padres.

É impressionante salientar também que a maioria dos programas são patrocinados por cremes de beleza, empresas interessadas no lucro que conseguem, através do garoto propaganda – o padre (havendo raras exceções) . E nunca se atrelou tanto a vivencia da fé, a compra de utensílios religiosos. Como se as bençãos e o interesse de Deus por nós se desse somente a partir da aquisição de determinado produto.

O padre dentro da mídia começa a se preocupar com tantas coisas que antes não faziam parte do conjunto de suas preocupações. E a superficialidade, a aparência, a beleza, as roupas, o linguajar, o consumo ao vivo de suplementos alimentares, começam a ser mais importante no exercício de sua função. Pois na mídia, tempo é dinheiro. Sendo assim, o tempo que um padre tira para se preparar antes de entrar ao vivo em qualquer programa, muitas vezes, é superior aquele destinado a proclamação da palavra – uma hora de preparação para meia hora de programa. Ele tem que fazer bem a propaganda do produto se quiser que o programa continue no ar.

Será que não está havendo uma confusão, um desvio de função? Será esse o papel do padre, “Garoto propaganda”? Será que esse novo modo de viver o sacerdócio irá de fato atrair mais fieis e melhorar a formação do cristão? Será que a Igreja não está confundindo se adequar aos tempos com se adequar ao mundo? É a mensagem cristã que deve se adequar ao mundo ou é o mundo que deve se adequar a mensagem cristã? Não sei se este novo modo de exercício do sacerdócio trará coisas boas ou más à Igreja. Só o tempo dirá!

 

1- Não se muda a Educação de um país, focando na atualização dos recursos tecnológicos. Mas focando na compreensão que se deve ter do educando como um ser portador de diversas dimensões e não apenas da capacidade de aprender e raciocinar.

2- O professor que se atualiza no uso dos recursos, nem sempre se atualiza na visão que tem sobre o estudante.

3- É mais fácil se utilizar de recursos tecnológicos e, as vezes, se esconder por traz deles, do que utilizar-se de recursos humanos para uma melhor compreensão do outro.

4- Se as minhas aulas não tem espaço para uma formação humana, meus exemplos certamente encontram um. E meus discentes o veem!

5- A administração de uma escola vai muito além de reformas  do espaço físico. Ela requer a administração de talentos, e a lapidação de pedras preciosas, acima de tudo.

6- Enquanto os estudantes tiverem saudades da escola apenas depois de terminar o EM, é porque aquilo que ali se vivenciou, pouco marcou. Pois a saudade verdadeira não ocupa o coração no final de tudo, mas nos pequenos espaços de ausência que se tem durante as vivências. Saudades da escola o estudante deveria sentir todos os dias.

7- A tecnologia nunca substituirá o professor. Mas se algum docente acreditar que sim, é porque ele deixou de ser professor há muito tempo! E, pior ainda, não percebeu!

8- Enquanto a escola não muda, o aluno se muda. E o dia em que a escola mudar, para melhor, o aluno se mudará, para a escola, e, dela, não sairá mais!

9- Somente os que tem coragem de mudar, conseguem se mudar! O professor que não mudou sua vida depois que abraçou o magistério, não foi professor nem de si mesmo.

10- Só mudarei o comportamento de meu aluno quando mudar o meu comportamento em relação a ele! Ou seja: eu só o mudo se eu me mudo em relação a ele. Pois ao mudar-me, ele perceberá que também pode fazê-lo e, sempre, para melhor.

Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação, repleto de toda suavidade! Que poderá ser mais precioso do que este banquete? nele, não as carnes de novilhos e de cabritos, como na antiga lei, mas Cristo, verdadeiro Deus, se nos dá em alimento. Que outro sacramento mais admirável que este? E nenhum outro sacramento é mais salvífico; nele se destroem os pecados, aumentam as virtudes, a mente é cumulada pela abundância de todos os carismas espirituais (Das obras de santo Tomás de Aquino, presbítero; Opusculum 57, in festo Corporis Christi, lect. 1.4).

Santo Tomas de Aquino nos faz entender a importância do Sacramento da Eucaristia. Mas é bom lembrar também que ao oferecer-se pela salvação de todos em forma de pão, de alimento, Jesus Cristo oferece condições para que seus discípulos e seguidores deem prosseguimento a sua missão. A Eucaristia fortalece a vida do cristão e possibilita que ele coloque em prática tudo o que Jesus nos ensinou.

O Sacramento da Eucaristia, juntamente com a Unção dos Enfermos e a Penitência, são sinais da presença de Deus na vida do cristão durante toda sua caminhada, podendo ser renovado sempre que o cristão desejar. São sacramentos que não se recebem apenas uma vez na vida, mas podem ser apreciados quantas vezes forem necessários. Ou seja, tais sacramentos , são graças de Deus apresentadas abundantemente a todos  que neles acreditam sem distinção, todos os dias.

Como diz santo Tomas de Aquino ” E nenhum outro sacramento é mais salvífico; nele se destroem os pecados, aumentam as virtudes, a mente é cumulada pela abundância de todos os carismas espirituais“( Das obras de Santo Tomas de Aquino, presbítero; Opusculum 57, in festo Corporis Christi, lect. 1-4).

Pois bem, dentre os carismas espirituais, encontramos o Sacramento da Ordem. Que concretiza o pedido de Jesus na celebração da Eucaristia. “Fazei isso em memória de mim” pediu Jesus. E pela força do Espirito Santo, através das mãos do sacerdote, da-se a transubstanciação, ou seja, a transformação  das ofertas do pão e do vinho  em corpo e sangue de Jesus Cristo.

Portanto, quando Jesus, seguindo os planos do Pai, envia o Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo, dá as condições necessárias para que a missão de Jesus prossiga. Os discípulos, alimentados pela Eucaristia, a saber, o Corpo e o sangue de Jesus, e movidos pelo mesmo Espírito, continuam a salvação iniciada pelo Mestre. De modo que festejar Corpus Christi  a luz de Pentecostes, é reconhecer a força do Espírito Santo de Deus em nossa vida e na vida de toda Igreja. É  reconhecer que a Trindade  continua se fazendo presente na história da humanidade.

Considerações finais:

O objetivo dos textos foi chamar a atenção para a necessidade da transformação do espaço escolar. Para que a violência não continue a ocupar um espaço que não lhe pertence.  E que o professor encontre nesse espaço, o ambiente propício para o exercício e a prática da criatividade. Para que o aluno reformule seu conceito sobre a escola e acrescente ao momento agradável da sociabilidade que ela já oferece, o desejo e o amor pelo conhecimento e pela pesquisa.

Alguns passos para a redescoberta e/ou redefinição do espaço escolar.

01-Devemos abandonar a ideia de que a escola é a única responsável pela aprendizagem relevante à sociedade e ao indivíduo. Tornando as outras instituições, que também possuem uma parcela de responsabilidade na formação integral do cidadão, tais como, igrejas, família, trabalho, sociedade, mais consciente de sua missão. Com esse modo de pensar, os professores tirarão dos ombros a sobrecarga de uma responsabilidade que lhe foi passada durante anos, deixando-os mais livres para criar e criar o melhor modo de partilhar e construir, junto com seus discípulos, o conhecimento.

02- Um espaço educacional redescoberto e/ou redefinido deve possibilitar o desenvolvimento integral dos cidadãos que pretendem dar continuidade aos estudos cursando o Ensino Superior e daqueles que não pretendem cursar o ensino superior, optando por outros modos de aprender, fora do contexto educacional, escolar. Conscientes do que foi afirmado acima, de que a escola não é a única detentora dessa responsabilidade.

03- As semanas culturais e esportivas devem acontecer com mais frequência no contexto escolar, juntamente com outros encontros de formação humana, na medida em que utilizam de diferentes formas para educar o Ser como um todo: caráter, temperamento, sociabilidade, e demais comportamentos de modo geral. Pois nas atividades lúdicas o educando se mostra mais, possibilitando uma análise mais profunda de sua pessoa por parte de seus responsáveis dentro da comunidade escolar. Que irá além da capacidade de aprender e raciocinar.

04- O Planejamento Pedagógico do professor deve conter atividades que possam ser trabalhadas nas semanas culturais e esportivas. Ou melhor, ele deve e pode aproveitar desses momentos para tornar seus temas mais concretos e atraentes, mais significativos para o seu corpo discente. Além de possibilitar dentro de sua competência atividades de contra turno quando devidamente remunerado para isso.

05- O aluno não pode mais ser reduzido a dimensão racional. Pois a composição de seu ser vai muito além. Estamos diante de um ser racional, mas também, emotivo, corpóreo, espiritual, social, capaz de fazer, criar e transformar, axiológico, histórico etc. Mas para isso é necessário que também o professor se considere e se enxergue dessa forma. O que lhe dá mais força para o exercício do magistério.

06- Uma sociedade preocupada somente com o aqui e agora, preocupada somente com o lucro, dificilmente deixará espaço para que todas as necessidades, provenientes das dimensões humanas e responsáveis por tornar o homem feliz e realizado sejam satisfeitas. Principalmente as necessidades provenientes da dimensão espiritual. Pois ela questiona o aqui e o agora, apresentando outra realidade que vai muito além do lucro a qualquer custo. Mas o novo espaço escolar deve tomar consciência disso e trabalhar no educando também a dimensão espiritual durante todo o processo e não apenas dois anos (6º e 7º – mas também 1º,2º e 3º ano do EM), responsável pela sua realização plena, junto com as outras dimensões.

07- Os Conselhos de Classe devem ser realizados com uma participação maior da comunidade escolar. Com ele, pode-se formar não só o aluno, mas também a família. Lembre-se de que, a responsabilidade de ensinar, e, a do aluno, de aprender, não se encontra só no espaço escolar. De modo que é bom comungar com a família as dificuldades, os erros e acertos do processo como um todo. Além de conversar sobre o progresso integral do aluno, a saber, sua capacidade de aprendizagem, de raciocínio deve-se ater também à sua capacidade de convivência e tudo o que isso implica. Sem medo de avaliar comportamentos

08- A avaliação do progresso do aluno deve ser relacionada a todas as suas dimensões e não reduzir-se a sua capacidade de aprender e raciocinar. Atualmente, frequentemente, no final do ano, o aluno bom e educado pensa: “Já consegui a nota, não tenho mais nenhum compromisso com a escola”. O mau aluno reflete: “Tô ferrado! Não consegui durante o ano, não é no final que conseguirei”. E, ambos, infernizam os últimos meses de aula. Mas se forem avaliados também no comportamento, o bom aluno refletira: “Já tenho parte da nota, continuarei a esforçar-me para que a nota de comportamento feche meu dez desejado” enquanto que o mau aluno pensará: “já que não aprendi tanto sobre determinada área do conhecimento, resta-me caprichar no comportamento para que eu consiga, de repente, o mínimo necessário para prosseguir e passar de ano. E nesse caso, a média ponderada pode auxiliar mais que a aritmética. Atenção, trata-se de suposições! A serem comprovadas em um novo espaço escolar.

09- O Projeto Político Pedagógico da escola deve ser, com urgência repensado. A redefinição e/ou a redescoberta do espaço escolar deve acontecer antes de tudo no PPP da escola. Pois ele é que apresenta as diretrizes para um novo olhar sobre o papel da escola, do aluno e de toda comunidade escolar. È ele que trará as bases possíveis legais e necessárias para essa nova compreensão da realidade educacional em nosso país. Depois das Leis Educacionais, apesar de todas as críticas que a elas fazemos, o PPP da escola é a Lei.

10- No entanto, as leis são necessárias! Mas, mais necessário ainda é uma postura crítica diante delas. Pois do modo como as coisas caminham rapidamente, se transformam, é necessário também que elas sejam constantemente revistas para que não caduquem, caducando toda uma instituição ou processo. Temos a impressão que muitas leis e diretrizes da educação já caducaram e, por permanecerem sem ser questionadas, caducam todo um processo, impedindo seu saudável desenvolvimento.

Prof. Msc. Paulo Sérgio de Faria: Bacharel e Licenciado em Filosofia; Bacharel em Teologia e Mariologia; Especialista em Comunicação Social e Informática na Educação; Mestre em Filosofia. Professor de História e Filosofia com experiência no Ensino Fundamental, Médio e Superior.

 

Para que servem as Leis da Educação mesmo?

Para deixar as coisas como estão! Você pode estar se preocupando por que até agora nenhuma lei foi citada ao se tratar de um tema importantíssimo para o crescimento pessoal e de toda uma sociedade. Mas o que quero dizer quando afirmo que as leis em nada inovam? Se o ensino está como está, é porque as leis atuais o fundamentam. Por que não podemos fazer nada além do currículo? Porque a lei não o permite! Por que não podemos diminuir os dias letivos? Por que a lei não o permite!

Nesse sentido, a lei, além de não inovar, ela castra alunos e professores. Ela lhe tolhe a liberdade de atuar e conseguir melhores resultados. E por tabela castra a todos envolvidos no processo, do agente educacional à direção. A Lei nos torna escravos de uma realidade que ninguém mais suporta. A família não suporta, os alunos não suportam, e grande parte da comunidade escolar não suporta. Mas se ninguém suporta, como é que essa realidade permanece? É que existe uma tolerância e uma crença de que uma hora irá mudar. Uma hora as coisas hão de melhorar.

Não existe, portanto, de minha parte, ignorância a respeito das leis educacionais de meu país, mas uma opção de não citá-las para que minha imaginação possa fluir sem pressão externa. E parta de mais de 20 anos de experiência como docente do ensino fundamental ao superior. Não quero também acreditar que as leis não devam existir, mas penso que elas devem ser modificadas na medida em que não mais atingem os objetivos a que se propõe. Devendo para isso ser sempre questionadas.

Pode-se pensar também que o que foi exposto até o momento não trata de sonhos. Porém não podemos esquecer que tudo o que temos na vida, no passado, não passava de sonhos na cabeça de alguns. Daqueles que se atreveram a sonhar com algo melhor do que a realidade lhe apresentava no momento. O sonho é necessário e deve fazer parte da vida e da realidade de todos os envolvidos na arte de educar. O mestre que deixar de sonhar, deixará também de exercer sua função de modo profícuo.

Muitos poderiam ser os exemplos de leis absurdas. Vejamos, por exemplo, aquela que almeja uma maior permanência do aluno na escola. Se a maioria das escolas do Brasil não tem condições de acolher decentemente os turnos, quem dirá contra turnos!