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Depois que Jesus sobe aos céus e envia seu Espírito Santo sobre seus discípulos reunidos no senáculo, um grande desafio passa a fazer parte da vida de seus seguidores. O desafio de deixar-se guiar pelo Espírito.

Enquanto Jesus estava com eles, tudo parecia bem mais fácil. Sua presença humana, concreta, contagiava, amparava, impulsionava, curava, denunciava e confortava. Agora, seus discípulos devem continuar a missão com base apenas na Fé. Fé que o Espírito de Deus se fará sempre presente para guiar suas atitudes, seus pensamentos. É um salto qualitativo, ou seja, sair do Jesus humano para o Cristo da Fé.

Todo cristão é chamado a dar esse salto, a saber, deixar-se contagiar pelo Espírito Santo de Deus. Alimentar-se da Palavra que narra a vida terrena de Jesus e, ao mesmo tempo, sentir a presença de Jesus através de seu Espírito, tal como se deu em Pentecostes. Com uma diferença: a Pentecostes deve se dar todos os dias de nossas vidas, pois necessitamos da presença de Deus em nossa vida tal como o peixe necessita da água.

A nossa vida guiada pelo Espírito deve ser uma constante Pentecostes, de forma que nossas ações, pensamentos, irão sempre refletir a vontade de Deus sob a inspiração do paráclito. É aclamar todos os dias:

Vinde Espírito Santo! Enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra.

Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo , fazei com que  apreciemos todas as coisas segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre de sua consolação por Cristo Nosso Senhor. Amém!

Que possamos fazer de Pentecostes uma experiência única diante da vida como um todo. Que a Pentecostes se dê primeiramente em nosso coração acima de tudo; mas também no coração de nossas famílias, no coração de nossos vizinhos, no coração de nossos colegas de trabalho, no coração de nossos amigos, no coração da sociedade e do mundo. Pois, guiados pelo Espírito, de nada mais necessitaremos. Amém!

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A descoberta e o investimento na propagação do Evangelho através dos Meios de Comunicação de Massa (MCM) se deu a mais tempo na prática dos cristãos não católicos. Visto que a utilização dos MCM por parte da Igreja Católica começou a tomar força somente nos ultimo 15 anos.

Utilizar-se de um MCM para qualquer função não é fácil e nem simples. Requer muito investimento para colocá-lo no ar e, mais ainda, para mantê-lo com qualidade.E, embora a TV, por exemplo, seja um veículo destinado inicialmente ao entretenimento, hoje é utilizada também e, acima de tudo, para a disseminação das ideologias da classe dominante em nosso Brasil. Educando a população para o consumo do desnecessário e descartável. Na medida em que constrói e desconstrói discursos e informações com objetivos bem claros, o de manter-se no poder. E manter no poder os que deveriam, uma vez eleitos, lutar pelo bem estar de todos e não de alguns de seus eleitores.

Para manter uma programação no ar são necessários os patrocinadores, ou seja, os que aproveitam da audiência do programa para expor seus produtos. Aliás, sem eles, o programa não tem como se manter no ar. E é aqui o cerne da questão no que tange a missão da Igreja. Pois se até o momento ela tendia a valorizar as coisas do alto, ligadas ao espírito, agora ela tem de valorizar e incentivar o consumo de coisas extremamente ligadas a nossa vida terrena. Mesmo que se trate da venda de artigos religiosos. São interessantes as contradições:

  • Se antes, nas homilias, se valorizava o sentimento de amor pelas mães e se criticava o consumo no qual a comemoração da data se transformou, hoje une-se ao sentimento o consumo de um artigo religioso de uma certa empresa que patrocina o programa;
  • No programas iniciais de música não se privilegiava músicas de duplo sentido, mas depois de alguns programas, elas se fizem presentes aos montes;
  • Se antes se pedia uma oferta, hoje acrescenta-se o termo generosa, faça uma generosa oferta ( em outras palavras, doe uma quantia significativa pelo amor de Deus se quiser que o programa permaneça no ar), sem contar o boleto extra;
  • Se cabia ao padre somente a administração dos sacramentos, agora eles se transformam em cantores e muitos insistem mesmo percebendo que não tem vocação para tal ofício;
  • Se antes, tomar banho e pentear o cabelo bastava, agora tem toda uma produção antes de se colocar diante das câmeras;
  • Se antes todos eram aptos para o exercício do ministério, agora se divide entre aqueles que tem vocação para a “telinha” e aqueles que não tem;
  • Além da vocação ao exercício do ministério, o padre também tem que possuir um bom discurso para a venda de produtos ligados mais a nossa condição terrena que nossa vida espiritual;
  • Se antes o tempo era aliado, agora ele é cronometrado de tal forma que a livre e espontânea iniciativa passa longe, pois tempo de TV é muito caro;
  • Se antes se visitava o doente, agora pede-se que ele entre em sintonia no canal de TV ou rádio para obter não a presença do sacerdote, mas a bençãos via satélite. Bem cômodo para o padre, por sinal.

Tudo passa a girar em torno do capital financeiro, por mais que no processo se propague a Boa Nova de Jesus. Quem manda na TV é o Capital e não a liderança cristã católica. Deixando claro que nesses casos, o fim, justifica os meios. Não tem como manter um canal de TV ou uma emissora de rádio e até mesmo um site na Internet, sem ter que se render ao capital financeiro e suas regras de mercado.

Bem, aceitou-se correr o risco, aceitou-se as contradições que, ao meu ver, empobrece e desvaloriza o exercício ministerial e a missão da Igreja. Não que não se possa ter um meio de comunicação cristão católico. Sou a favor, por exemplo, de apenas um canal  religioso, que se mantenha com recursos das diversas famílias religiosas, sem depender estritamente do capital das vendas de produtos que sabemos muito bem que nem sempre realizam as pessoas como um todo. Pois como já afirmava Paulo VI ( se não me falha a memória) ” A televisão faz você comprar aquilo de que você não precisa, com o dinheiro que você não tem”.

Um povo pode ser condenado à ignorância de diversas formas. Entre elas está a retirada da obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia, História, Sociologia, Artes, no Ensino Médio, como se elas não tivessem nada a contribuir na formação integral do ser humano.

Vou me deter ao ensino da História, visto que as demais disciplinas por ela são abarcadas. Ou seja, a Artes, Filosofia, Sociologia estão sempre contextualizadas. E tal contexto, muitas vezes, é construído segundo as intenções daqueles que governam o país.

Estudar história é compreender a arte de contextualizar, conhecer e reconhecer os fatos do passado que, de uma forma ou de outra, contribuíram para a construção do presente e, iluminam a construção de um futuro. E ensinar História é ter ciência de tudo isso e da responsabilidade que deve permear a docência ao analisar o passado, compreender o presente e projetar o futuro.

O exercício da docência pode, no entanto, negligenciar o passado, descomprometer-se com o presente e ignorar o futuro, com drásticas consequências na formação do discente. Conduzindo-lo ao compartilhamento com a ignorância, deixando-o a mercê dos fatos e simplesmente concordando com suas consequências como se nada tivesse a ver com ele.

Vivemos momentos que antecedem o período eleitoral, e a disciplina de História pode e deve contribuir para que entendamos o que verdadeiramente está em jogo; através da análise das ideologias partidárias, da análise da situação atual de um país que está sucateando a Saúde, a Educação, a Segurança, com o objetivo de justificar um modo diferente de prestação de serviço ao povo. No qual o governo se isenta de suas responsabilidades para com a população e as passa para a iniciativa privada. Tal iniciativa não verá nada mais que uma oportunidade de lucrar com a desgraça da população, aumentando ainda mais a distância entre pobres e ricos; entre aqueles que terão acesso a tais serviços e aqueles que dos serviços serão excluídos por não poderem pagar.

Estudar História é compreender o momento, e, ensiná-la, é oferecer ferramentas de análise para que o estudante  possa, ao refletir a sua realidade e a de seu país, compreender sua função e justificar sua participação na luta por uma sociedade que possibilite a todos ou, ao menos a maioria,  o melhor possível em termos de condições de vida.

O mestre pode até se posicionar diante do momento histórico em sala de aula. Sem querer, no entanto, que todos os alunos com ele concorde. Pois as realidades são diferentes mesmo se tratando de uma mesma sala de aula. O que está em jogo é a capacidade de análise,a coerência e a lógica do discurso. Pois da mesma forma que o aluno pode discordar do professor, o professor pode discordar do aluno sem com isso prejudicá-lo na nota desde que haja coerência e lógica em seu discurso ao responder as questões da prova e/ou na participação durante as aulas.

Em uma reunião com professores de História a reflexão que foi colocada era justamente sobre o papel do professor em sala de aula, no momento delicado em que vivemos. Uma vez que se verifica em sala de aula as diversas correntes ideológicas e políticas no que se refere ao governo do país. Visto que os alunos através da Internet tem acesso a muitas informações coerentes, não coerentes, falsas e verdadeiras. Cabendo ao professor ajudá-lo na purificação da informação para que dela se possa extrair o que de fato se procura.

Privar o aluno das disciplinas já citadas e, de modo especial, da disciplina da História, é privá-lo de ferramentas para a compreensão da realidade, para o desenvolvimento do senso crítico, para a luta e transformação da sociedade para melhor, impedindo-o de condições para reagir a favor de seu próprio bem estar e do bem estar de toda uma sociedade.

Ao analisarmos o evento de Pentecostes narrado pelos evangelistas, podemos perceber uma mistura de sentimentos e crença. Pois a experiência de Jesus com seus discípulos e, de modo especial, a da sua Paixão, Morte e Ressurreição, foi muito forte. Seja para os mais próximos de Jesus, seus discípulos, seja para os demais seguidores que buscavam consolo e segurança em uma sociedade dominada pelo Império Romano.

Mas em que consistiu a decepção?

A decepção encontra-se no fato de que Jesus apresenta um modo diferente de atuação comparado as demais lideranças religiosas presentes na sua época e as que até então tinham surgido. Pois a situação de abandono dos menos favorecidos criava situações adequadas para o surgimento de muitos falsos profetas. Causando no povo decepções em cima de decepções, desesperança em cima de desesperança. E Jesus que parecia ser diferente, dava sinais de que ia abandonar o povo novamente. Onde já se viu: morre, aparece, e, depois, diz que vai embora de novo. Seria Jesus mais uma decepção?

Decepcionar-se com Jesus não demonstrava necessariamente ausência de fé da parte dos discípulos, mas incompreensão da sua mensagem, uma vez que sua volta se daria com o envio do Espírito Santo. Possibilitando aos discípulos dar continuidade a missão de Jesus, executando os milagres que o mestre executava: “ Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, 18manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados” (Mc 16,17-18).

Apesar de todas as dúvidas, decepções, e da sensação de abandono, vendo Jesus que ascendia ao céu,os discípulos permanecem unidos. E, após Pentecostes, se soltam de uma tal forma que fortalecem os seguidores do mestre que ainda tinham dúvidas quanto a sua identidade como Filho de Deus, aumentam o número dos que creram em Jesus com base nos milagres realizados por seus discípulos em missão, e difundem a salvação de Deus por seu Filho pelos confins de toda terra. Com uma fé inabalável professam a todos os povos que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai. E como Senhor dos mortos e dos vivos, garante a ressurreição como prêmio aqueles que vivem segundo a sua mensagem de amor.

Ainda hoje são muitos os cristãos que sentem-se em uma situação de abandono. Seja por questões relacionadas a uma imperfeição física, a uma doença, a uma situação conflituosa, a solidão, a baixa autoestima etc. Outros sentem-se decepcionados com a distância existente entre a mensagem de Jesus e o comportamento de muitas das lideranças cristãs. Mas o importante de tudo isso e, apesar de tudo isso, é guardar a Fé. E, motivado por ela, darmos o máximo com nossas atitudes para assemelharmos cada vez mais a Jesus.

Apesar de toda perseguição, dúvidas e decepções, os discípulos foram homens de fé, de uma fé inabalável. Fé fortalecida cada vez mais pela experiência do Espírito Santo agindo em seus corações.

Que possamos nós, ao recordar o acontecimento de Pentecostes, sentir a presença do Espírito Santo de Deus em nossos corações. Que a sensação de abandono transforme-se em acolhida, a decepção em alegria, a dúvida em certeza; para professarmos cada vez mais e com mais convicção a Fé que temos em Jesus, única certeza de nossa salvação.

Não trata-se de um artigo teológico científico, pois não é esse o perfil do Blog, mas o texto quer levar a reflexão sobre certa prática disseminada na igreja cristã católica que nos recorda a atuação da mesma na Idade Média.

Refiro-me ao esquartejamento do sofrimento, apresentado de modo especial pelo culto as Santas chagas de Jesus. Pensemos bem: culto as santas chagas quer referir-se ao sofrimento de Jesus, mas esse sofrimento deve ser compreendido como um todo. As chagas é resultado do modo de condenação a que Jesus foi condenado, elas foram provocadas pelos pregos da cruz. Então, é a morte na cruz que deve ser apresentada, a cruz, como os evangelhos mesmo salientam.

O que se pretende com o esquartejamento da condenação por morte de cruz? Não basta o culto a cruz, na Semana santa? Refiro-me aqui ao culto da cruz, ou melhor, ao seu significado como instrumento de salvação da humanidade. Que não deve ofuscar o grande kerigma, o grande anuncio, que é a Ressurreição de Jesus, sua vitória sobre a morte de cruz.

Como pensar na vida de ressuscitados, se saliento na vida de fé do cristão o sofrimento proveniente da condição humana, a qual Jesus se submeteu, com exceção do pecado? Por que salientar de modo demasiado, pois assim acontece via meio de comunicação de massa (a TV, por excelência). Se o grande anuncio é a ressureição, por que insistir na cruz e no sofrimento que ela proporciona?

O sofrimento que faz parte da condição humana e que antecede a ressurreição (situação referida ao pós-morte) começa, com a dissolução desse modo de Piedade Popular (que não surgiu do povo, mas da ideia de um líder cristão religioso) a tornar-se mais importante que a própria ressurreição de Jesus Cristo.

Chaga do pé direito, Chaga da mão direita, chaga do pé esquerdo, chaga da mão esquerda, chaga da costela, surgida com a ponta da lança, culto ao glóbulos vermelhos, da chaga direita, esquerda, culto aos glóbulos brancos, culto ao espinho da testa, culto ao espinho da nuca, culto ao espinho acima da orelha, culto … Minha Nossa Senhora!

Percebe-se claramente, com a propagação desse tipo de “devoção”, um objetivo financeiro dentro de um contexto capitalista. Pois se existiu algum sentido religioso inicialmente, já perdeu e não tem como recuperar, não tem volta.

Do ponto de vista teológico da fé, há de se considerar o sofrimento da cruz como um todo. Reduzi-lo a partes é perder de vista a totalidade da mensagem evangélica.  E o que se vende com o propósito das santas chagas, pelo amor de Deus! E não me venham com a conversinha de que é uma forma de aproximar a mensagem cristã dos fiéis, atualizá-la, pois existem modos mais inteligente de faze-lo. Frisar o sofrimento a um povo que já sofre é redundante  e maldoso.

Com a propagação desse tipo de devoção tem-se, ao meu ver, um empobrecimento da mensagem evangélica. Pois foge ao equilíbrio que devemos ter na compreensão da mensagem de Jesus no que toca as dificuldade da condição humana e a vitória garantida pela sua ressurreição sobre a mesma. Nem tanto ausência de sofrimento, mas nem tanto sofrimento acima de tudo. Nem tanto Teologia da Prosperidade, abundancia, mas nem tanto Teologia da desgraça e do sofrimento. Jesus, diante do sofrimento humano, ele não ficou salientando a cegueira do cego de Jericó, não ficou lamentando e salientando a dificuldade de locomoção do paralitico, a surdez do surdo, o pecado da prostituta, mas curou a todos.

A crítica, é claro, não se dirige ao pobre cristão que a pratica, mas aqueles que a impõem e difundem; refiro-me as lideranças religiosas cristãs católicas, que com a desculpa para manter uma programação no ar necessitam da compra de artigos referentes a tal “devoção” e a outras que hão de inventar. Muitos padres, atuais “garotos propagandas, mascates religiosos” aproveitam do dom que Deus lhe deu no que se refere a retórica e/ou ao canto, para empurrar “goela” a baixo a compra e o consumo desses “produtos religiosos” .Dando garantia, com o consumo, de enriquecimento na fé, de demonstração de amadurecimento da confiança em Deus, e certeza do céu, o que é uma grande mentira.

No meu entender, a verdadeira Piedade popular é mais branda, mais pura, sem intencionalidades financeiras. E como o próprio nome já diz, Popular, que exclui qualquer intencionalidade ligada diretamente a liderança religiosa cristã. Pois se fazem assim com as chagas de Jesus, o que não farão com sua mensagem? Vão empobrecê-la também?

Assim o fizeram na Idade Média, que possuía a devoção ao Leite de Nossa Senhora, guardado e venerado. É, Lutero, as vezes, nos causa nostalgia!

É comum ouvirmos o jargão de que a Piedade Popular ocupa espaço apenas entre as classes menos favorecidas, isenta de informações e conhecimentos. Mas será que isso procede?

O sentido de cultura aqui utilizado, refere-se a posse de conhecimento e informações de modo formalizado, nas escolas e universidades. Pois ao que parece, essas pessoas “intelectualizadas” não encontram espaço e nem tempo em sua vida para a vivência de uma piedade popular por mais simples que ela seja, como rezar um terço, fazer uma promessa e visitar um santuário como o de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, SP; Divino Pai Eterno, em Trindade, Goiás; Perpétuo Socorro em Curitiba, PR, etc.

A compreensão racional de si e do mundo muitas vezes ofusca a compreensão do lado espiritual da vida que não depende necessariamente da cultura que adquirimos, mas da educação religiosa, do sentimento religioso, da experiência religiosa que fazemos no decorrer de nossa vida pessoal e familiar.

Segundo essa concepção, a Piedade Popular é um sentimento reservado apenas aos fracos, aqueles que não podem recorrer e lutar por seus direitos tendo como moeda de troca o dinheiro, o interesse, a mentira, a falsidade, a inveja, o orgulho etc. De modo que essas pessoas simples são as mais exploradas pelas congregações e ordens religiosas na medida que repetem a Idade Média, adquirindo pertences religiosos na certeza de adquirirem junto com eles, a salvação ou um lugarzinho no céu.

Observando a realidade da Piedade Popular sob uma outra ótica, verificaremos que juntamente com a Piedade Popular, o povo simples educa-se para a vivência da solidariedade, da partilha, do senso comunitário, do perdão, do amor, da misericórdia, da compaixão, do desinteresse, da luta por condições melhores de vida, da esperança, da fé etc. Ou seja, existe a edificação de valores dos quais a sociedade atual está em falta.

A religião cristã, ou seja, a forma com que a espiritualidade cristã se revela externamente, no seguimento de Jesus Cristo, coloca ao lado da razão e não dependente dela. De modo que a Piedade Popular é um modo de compreensão da realidade diferente do modo racional. Não é melhor ou pior, mas diferente e, a meu ver, complementar.  O que significa dizer que o que adere a uma piedade popular não tem mais fé ou menos fé que aquele que não adere. Mas as consequências da adesão se apresentarão de modo diferenciado.

Acolher a piedade popular em uma vida é aceitar ver o mundo de um modo diferenciado, além do modo racional. Não tratando-se de ser fraco ou forte, mas de ser humano. Visto que a dimensão religiosa e racional da vida devem ser respeitadas e alimentadas uma vez que fazem parte da existência humana.

O exercício da Piedade Popular, sob o meu ponto de vista, funciona como a corrente do bem. Visto que, quem visita um santuário, além de pedir ou agradecer uma graça recebida, se compromete a ser melhor, vivenciando os valores já assinalados no quinto parágrafo do texto.

Sendo assim, a relação que se estabelece entre Piedade Popular e Cultura deve se fazer presente na vida de fé de todo cristão, independente da cultura. Compreendido os modos diferentes de ser e viver a vida.

Entre as vocações para as quais muitos cristãos são chamados destaca-se a  Vocação Religiosa, ancorada pela Vocação à vida. Mas em que consiste a vivência dessa vocação, desse chamado?

Bem, a mensagem de Jesus Cristo toca todos os corações. Mas no decorrer da História da Igreja, algumas pessoas se destacaram na vivência do Evangelho de uma certa forma, que atraiu seguidores para e pela sua causa. Surgem os Franciscanos, inspirados pelo exemplo da vivência evangélica de Francisco de Assis; os Beneditinos, inspirados por São Bento; os Dominicanos inspirados em São Domingos de Gusmão; os Jesuítas, inspirados por Santo Inácio de Loyola; as Filhas da Caridade, de São Vicente de Paulo; as Clarissas inspiradas por Santa Clara de Assis, etc.

Esses vocacionados, essas vocacionadas, vivem em comunidade em um ambiente denominado de convento. Fazem os votos de Pobreza, não possuindo nada para si ou em seu nome, Castidade, abstendo-se da vocação matrimonial, e, Obediência, as regras de sua ordem ou congregação (denominada de Constituição) bem como a seus superiores gerais,  provinciais e comunitários.

A nova concepção de família hoje, apesar de estranha, abre um espaço mais vantajoso para entendermos a função materna dessas religiosas embora não tenham abraçado o matrimônio. Pois da mesma forma que a mãe de criação  dá um sentido ao seu filho de criação, a presença da Religiosa na Igreja e na Sociedade como um todo, na qual, inspirados no Evangelho, prestam árduo serviço, não deixa de ser uma presença feminina e maternal. Pensemos, por exemplo, no lugar que ocupa a religiosa ( a freira) na vida das crianças que moram em orfanatos que são administrados por comunidades religiosas. Certamente é uma atitude materna, visto que o sentido maternal, vai muito além das relações sanguíneas. Lembremos, por exemplo, de Madre Tereza de Calcutá que fundou a congregação das Missionárias da Caridade para cuidar dos pobres e excluídos da sociedade. Sua atuação foi extremamente materna, pois dedicou toda sua vida aos pobres, como uma mãe se dedica a seus filhos.

Sendo assim, ao comemorarmos os Dia das Mães, não esqueçamos dessas mães que, embora não tenham gerado filhos, se dedicam a cuidar dos filhos das outras. Ou seja, estendamos a nossa compreensão do sentido da maternidade. Uma vez que a resposta que temos sempre que indagamos sobre o amor de uma mãe de criação é a de que: “eu o cuido como se fosse meu”. Assim fazem as religiosas: embora não tenham gerado filhos em seu ventre, cuidam dos demais como se fossem seus filhos. Amparados também, é claro, na compreensão da maternidade divina de Maria. Sem reduzir, portanto, a possibilidade de realização da mulher no simples ato de conceber uma vida em seu ventre.

Dia das Mães, parabéns a elas! Mas parabéns também a todas as irmãs, religiosas, freiras, que cuidam dos menos favorecidos da sociedade, e de todos os que a elas se dirigem para sentir e usufruir da presença feminina e de um colo maternal.

Parabéns Mães, parabéns Irmãs!

(Essa reflexão pode ser estendida também a compreensão da paternidade religiosa)