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Quem diria: aquele que tinha todo um Brasil a seus pés, agora só tem um dia na memória dos brasileiros.

Pensar em índios, hoje, nativos, é pensar conflito de um povo não evoluído com toda uma sociedade que se acredita no direito de tomar posse cada vez mais daquilo que não é seu. É triste pensar que as pequenas reservas indígenas do país estão mal cuidadas e seus habitantes continuam sendo desrespeitados.

Parece que comemorar o dia do índio é como comemorar o dia de Tiradentes, ou seja, o dia de alguém que já não existe mais. Mas será que ainda existem índios no Brasil? Onde estão e como vivem? Ainda usam arco e flecha? Ainda vivem apenas daquilo que a fauna e a flora oferecem?

Como pode o índio sobreviver em uma sociedade que busca, com seu modo de ser, anular sua existência? As tribos indígenas eram nômades, ou seja, quando os recursos naturais se esgotavam, ele migravam de uma região para a outra. Isso possibilitava à regeneração da região ocupada, e o equilíbrio daquela que passaria a fornecer alimento a tribo que nela se instalasse. Assim era a vida do índio. Mas agora, agora os confinamos como gado de corte e os chamamos de mal agradecidos quando reclamam por melhores condições de vida.

Mas a culpa é do Capital, você o conhece? É uma pessoa muito má que busca somente crescer, crescer à custa do trabalho escravo. E junta-se a ele os grandes latifundiários que almejam um Brasil resumido em soja, milho e gado. Para isso precisam de mais terras e mais terras e mais terras.

Que o Dia do Índio impulsione nossos políticos, pressionado pela sociedade, a criar e aprovar lei que dê ao índio a dignidade que ele merece. Que eles sejam inspiradores de nossas ações com relação ao respeito pela natureza, pela cultura e pela vida de um modo geral. E que possamos afirmar: vale a pena ser índio!

Domingo de Páscoa: Ressuscitou! Aleluia

Depois do acontecido, vida paixão e morte de Jesus, seus discípulos retomam a vida e caminham para uma aldeia próxima de Jerusalém ( aproximadamente uns 12 km). No caminho encontram-se com um forasteiro ( na verdade era Jesus, embora eles não o tivessem reconhecido) que passa a participar da conversa dos dois seguidores de Jesus. E depois de ouvi-los, retoma com eles toda a mensagem das Sagradas Escrituras a respeito do messias que haveria de vir, morrer e ressuscitar. E seus olhos se abrirão somente quando Jesus relembra o compromisso dado “Fazei isso em memória de mim”; quando Jesus abençoa e reparte o pão.

A caminho de Emaús, Jesus não ignora o passado, mas o subordina a sua ressurreição. Em outras palavras: nossa vida passada e presente só tem sentido se vivida segundo os mandamentos de Deus e a vontade de Jesus cuja orientação se resume em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Ter fé em Jesus ressuscitado é dar espaço para que sua história penetre em nossa história e dê a ela um novo sentido. É compreender a própria história dentro de um panorama maior, que vai muito além dos anos que na terra passamos. É acreditar que a nossa origem e o nosso fim encontram-se em Deus, ou seja, de Deus viemos e para Deus retornamos, como afirma São Paulo.

A participação nos sacramentos tem essa função, dar um novo sentido a existência humana, visto que para os momentos marcantes de nossa vida Deus se revela a partir de sinais, alguns bíblicos, e, outros, inspirados e criados pela tradição da Igreja cristã católica. Batismo, Eucaristia, Penitência, Crisma, Unção dos enfermos, Matrimônio, Ordem, englobam toda nossa vida, tornando-a plena de divindade.

O encontro de Jesus com os discípulos de Emaús marca, portanto, o encontro de duas histórias. A história humana, que implica na encarnação do verbo de Deus, Jesus de Nazaré; e a história divina iniciada com a ressurreição. Sendo assim todo cristão deve dar o salto do Jesus histórico para o Cristo da fé, sair da história humana, ou melhor, complementar a história humana com a história divina. Sair do Jesus de Nazaré para o Messias, o Cristo ressuscitado.

Ressuscitar em Jesus é colocar o sofrimento, o pecado e a morte em segundo plano, ou melhor, em plano algum de nossa vida por que em tudo isso: fomos, somos, e, seremos vitoriosos. Convicção que se renova a cada eucaristia celebrada!

Jesus ressuscitou! Todos os que nele creem também ressuscitarão! Vitória!

Feliz Páscoa!

Maria Madalena vai ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro e viu a pedra removida. Correu avisar os discípulos do acontecido. Pedro e João correm para certificar-se de que Madalena dissera a verdade e encontram, de fato, os panos no chão, o sudário, mas nada de Jesus. “Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos” (Jo 20,9).

Com a ressurreição a esperança se renova, toma vida novamente e, todo sofrimento, toda cruz, ganha novo significado. O sofrimento e a cruz não pode mais amedrontar aqueles que confiam e creem em Jesus Cristo. Visto que ele provou, assumindo a condição humana, que nada e ninguém podem triunfar sobre a humanidade senão o amor de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Se a condição humana leva ao sepulcro fechado, ao pecado e a morte, todos nossos planos e realizações, toda nossa esperança e felicidade; a ressurreição nos eleva, pelo batismo, a condição divina, para o perdão e a vida, que aponta para o sepulcro aberto para a paz, a esperança, a felicidade e o amor.

Com a ressurreição de Jesus se conclui o Plano de Amor de Deus Pai. Plano que se perpetua a cada eucaristia. Ressurreição que se dá a cada dia para aquele que crê em Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus, portanto, dá sentido a toda escritura e a toda vida do cristão. Com ela, o pecado e a morte não tem mais domínio sobre a condição humana. Por ela somos perdoados e recolocados novamente na condição de filhos amados por Deus.

Feliz Páscoa!

As condições nas quais ocorrera a morte de Jesus inspiravam cuidados especiais. Por isso Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. Houve um tremor de terra, um anjo desceu do céu e rolou a pedra que fechava o sepulcro. Os guardas se assustaram, “Mas o anjo disse as mulheres: Não temais! Sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galileia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse” (Mt 28,5-7).

O sofrimento e a morte de Jesus ofuscara a mente dos discípulos que faziam da passagem de Jesus pela terra nada mais que uma recordação. Até que, avisados pelas mulheres, retomam a esperança e reconhecem na cruz não um fim, mas um novo começo.

Assim deve ser a vida, repleta de recomeços, parcelas de ressurreição. Pois as dificuldades, o sofrimento e até a morte devem ser ocasiões de se retomar a caminhada, de se retomar a esperança de que se faz parte de um plano maior. Um plano de Deus, portanto, um plano de amor. Pode-se não ver anjos, mas são inúmeras as pessoas que nos ajudam a retomar a vida depois de momentos infelizes. São muitos que ajudam a rolar a pedra do túmulo onde aprisionamos nossas potencialidades e tudo de bom que somos e fazemos. Que não devem mais ficar escondidas ou massacradas e vencidas pelo sofrimento. Acreditar em Jesus ressuscitado é acreditar na retomada constante de nossa vida e, sobretudo, acreditar que somos vencedores. Até o dia da vitória final, quando, como Jesus, deixaremos esse corpo e o contemplaremos tal como ele é em espírito e verdade. Amém!

 

Paixão  de Jesus

A Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus narrada pelo evangelista João abre diversas portas para reflexão. Uma delas é a que Jesus leva o Plano do Pai até as últimas consequências, dividida em cinco momentos. Revigorado no corpo e no espírito com a última ceia, realizada com seus discípulos, e na qual prega o amor e o serviço ao outro como sinal de compreensão da sua mensagem, prossegue assumindo as consequências trágicas do amor incondicional à toda humanidade.

Cinco são as temáticas da narração: Prisão, Diante de Anás e Caifás, Diante de Pilatos, Crucifixão e Sepultura. E, portanto, cinco serão as reflexões oferecidas.

  • Prisão

Nesse episódio é interessante notar que Jesus não corre, não foge quando vê a chegada dos soldados dos pontífices e dos fariseus. E parecia que eles procuravam um fora da lei, perturbador da ordem social, disposto a fazer o mal. Mas quando Jeus diz: “Sou eu”(Jo 18,5) eles se assustam. Pois esperavam uma atitude de violência ou tentativa de fuga. Eles recuam e caem por terra. Enquanto Jesus insiste: Sou eu, deixai os demais irem embora. E quando Pedro fere Malcon, decepando-lhe a orelha, Jesus chama a atenção do discípulo: “Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?”(Jo 18,11). Ou seja, Deus Pai tem um Plano, e eu o cumprirei custe o que custar!

 

REFLEXÃO: O Plano de Deus sobre a vida de cada cristão é uma plano vitorioso. Mas um plano que não exclui a traição, o sofrimento, os juízos equivocados sobre nossas atitudes, o distanciamento daqueles que amamos, e o julgamento daqueles que se colocam, na sociedade, como nossos superiores. O importante, no entanto, é manter-se firme na concretização do plano de Deus a nosso respeito. Lembrando que o julgamento equivocado sobre nossas ações pertence a esfera humana, passível de erros. E muito mais importante que o julgamento dos homens, é o julgamento de Deus sobre nossas atitudes.

  • Diante de Anás e Caifás

Questionado por Anás e Caifás, Jesus afirma nada ter a temer visto que ensinou abertamente nas sinagogas e no templo. E sobre sua doutrina eles deveriam perguntar a seus ouvintes e seguidores. Jesus, como judeu, fora pego e preso por seus superiores que não aceitavam ser Ele o Messias prometido nas Sagradas Escrituras. E teve do seu lado apenas um discípulo conhecido do sumo sacerdote, que possibilitou a entrada de Pedro no pátio da sua casa. Mas Pedro negou conhecer Jesus e pertencer ao seu grupo por três vezes seguidas, após a última, o galo cantou. Tal como Jesus afirmara: “ Antes que o galo cante, você me negará três vezes”.

REFLEXÃO: Percebe-se uma aparente passividade de Jesus diante daqueles que o acusavam. No entanto essa aparente passividade revelava uma força tremenda para que se realizasse a vontade do seu Pai. A salvação passaria necessariamente pela cruz. Que significaria a partir daquele acontecimento não mais um instrumento de tortura a serviço da morte, mas de redenção, a serviço da vida. Muitas são as vezes que se confundem uma atitude “passiva” com o medo, a incerteza e a insegurança. Mas no caso do cristão convicto a passividade nada mais é do que a abertura interior para que se realize a vontade de Deus Pai. Por isso o cristão não rebate a violência com violência, não paga o mal com o mal e não aceita de modo algum olho por olho e dente por dente. A não reação às situações desagradáveis da vida, para o cristão, não significa de forma alguma covardia, mas certeza de que no momento devido Deus irá agir, fazendo compreender a todos que a sua vontade sempre irá prevalecer sobre a vontade humana. E esse prevalecimento é fundamentado no amor e nunca na vingança, na violência ou no ódio. Assim pode ser compreendida também a passividade de Pedro ao não revelar-se como seguidor de Jesus.

  • Diante de Pilatos

Os judeus levam Jesus até Pilatos. E Pilatos não encontra nele mal algum, devolvendo-o aos judeus, pedindo que o julguem eles mesmos. No entanto os judeus voltam a pressionar Pilatos que, interrogando Jesus continua a não ver nele mal algum. Porém, quando os judeus colocaram em cheque sua fidelidade ao imperador Cesar e, consequentemente, seu cargo, manda flagelar Jesus e em seguida, crucificá-lo, além de soltar Barrabás, um salteador.

REFLEXÃO: Temos claramente o encontro entre duas autoridades. Uma cujo fundamento se encontrava na vontade humana, embora os romanos acreditassem que os deuses intervinham na escolha dos imperadores e seus coadjuvantes, e outra, fundamentada na vontade do Deus de Abarão, Isaac e Jacó. A primeira preocupada em executar as leis dos homens e a segunda em obedecer a Lei de Deus. Uma encarnada em Pilatos e a divina encarnada em Jesus. Mas Pilatos, contra a vontade, aceita submeter a sua autoridade à autoridade de Jesus aos ouvir do mestre: “Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso quem me entregou a ti tem pecado maior”(Jo 19,10b). No entanto, enquanto a autoridade de Pilatos acaba cedendo à vontade de algumas lideranças judaicas incomodadas com a autoridade de Jesus; a autoridade do mestre de Nazaré permanece irredutível no cumprimento da vontade do Pai.

No decorrer de nossa vida, diversos serão os momentos em que seremos imbuídos de autoridade.  Seja a desenvolvida pelo compromisso de pai na família, no âmbito profissional como gerente, administrador ou até empresário, no ensino como professor, e outras. Resta, no entanto, refletir sobre os fundamentos de minha autoridade. Eles podem estar fundamentados nos costumes, na cultura, ou podem estar fundamentados na vontade de Deus. Ou seja, no desenvolvimento de nossa autoridade no decorrer de nossa vida podemos ser Jesus ou Pilatos.

  • Crucifixão

Obedecendo as ordens de Pilatos, Jesus carrega a própria cruz na qual seria crucificado. O segue uma multidão e ele é crucificado no meio de dois ladrões. Tem aos seus pés sua mãe, sua tia, Maria Madalena e João. Depois de muita dor e sofrimento deixa a responsabilidade sobre sua mãe à João e a responsabilidade sobre João à Maria, sua mãe. Pede água, lhe dão vinagre. Morre!

REFLEXÃO: Aparentemente tudo está acabado. Toda esperança, morta. Não tem mais jeito. Tudo não passou de ilusão. Mais uma liderança religiosa, como tantas outras, é massacrada pelos poderes terrenos. Embora toda sua pregação já pré-anunciava todo o acontecido. Inclusive a ressurreição no terceiro dia pós-morte. Três dias que certamente foram para os seus seguidores mais de perto, uma eternidade. Mas esse sentimento é normal da condição humana. Sempre parece que os momentos de sofrimentos duram mais de que os momentos de alegria. Aliás, quando estamos alegres, nem vemos o tempo passar. Mas quando sofremos, damos tanta atenção ao tempo, que o mesmo parece andar a passos de tartaruga. E tudo se torna ainda mais difícil quando perdemos a esperança. Sem esperança, a vida não tem sentido e o sofrimento parece inacabável. E não são poucos os momentos que o cristão se sente sem esperança. Mas que tal contar três dias? Faça a experiência e experimente a ressurreição, por mais difícil que seja o momento que estejas passando.

  • Sepultura

 

José de Arimateia e Nicodemos, pessoas próximas à família de Jesus, cuidaram do funeral de Jesus, da descida da cruz a sepultura. Sepultura nova, onde ainda ninguém tinha sido sepultado, próximo ao Gólgota.

 

REFLEXÃO: O que foi sepultado? Não foi sepultado somente o corpo de um ser humano qualquer. Sepultava-se ali o sonho de toda uma nação que esperava o Messias. Foi sepultado a possibilidade de libertação de um povo escravizado pelos impostos devidos à Roma. Foi sepultado o bem e as palavras salvadoras daquele que parecia ser o Cristo. Foi sepultada a esperança.

Quantas vezes levamos nossos planos para a sepultura sem a intenção de ressuscitá-los? Quantas vezes sepultamos nossa esperança em dias melhores e não lutamos por uma transformação social? Pois muitas vezes nos identificamos mais com Jesus humano do que com o Cristo, o Messias, divinos. É hora de ressuscitar nossos planos e nossas boas intenções.Pois ser cristão é ser testemunho da vida, da ressurreição.

Qual é a consequência de Jesus ter levado até as ultimas consequências o Plano de Pai? A vitória sobre o pecado e a morte, a salvação da humanidade!

Quinta-feira Santa – Ano A

Chegada e despedida sempre mereceram atenção na cultura humana. O neonato alegra a prole que o acolhe, da mesma forma que o moribundo é bem cuidado em sua passagem. Tanto é que quando a morte precede momentos de sofrimento, afirmamos que determinada pessoa descansou. Mas existem as chegadas e partidas durante a vida que também são causa de alegria e tristeza. E são essas chegadas e partidas que compõem a realidade humana, que nos ajuda na aceitação e preparo da partida maior, quando voltamos à origem, ou como disse  São Paulo: De Deus viemos e para Deus voltearemos!

Na passagem bíblica, objeto de nossa reflexão, Jesus, sob a condição humana, prepara sua partida, sua volta ao Pai. Mas não foi nada fácil. Quer jantar com seus discípulos. Mas mal sabem os discípulos, que esse jantar, é diferente daqueles que eles estão acostumados a fazer segundo a tradição judaica.

Jesus não deseja que seus discípulos façam aliança com o sofrimento. Por isso, ao vencer a morte, acaba com o fim e objetivo de qualquer sofrimento, a saber, a destruição da vida. Jesus não ignora o sofrimento, mas o vence; Jesus não ignora a morte, mas a vence; Jesus não ignora Judas, mas o faz sentir as consequências da sua traição; enfim, Jesus não ignora a natureza humana naquilo que ela tem de mais difícil aceitação, o fim, o termino. Jesus faz da condição humana um período de passagem e não de permanência. Dando assim, um novo sentido à vida.

Depois de tamanha prova de amor, não podemos permanecer com a atenção no sofrimento que antecede a vitória da ressurreição. No entanto, para enfrentarmos o sofrimento é necessário que estejamos bem alimentados, física e espiritualmente. Não é a toa que Jesus se utiliza dos objetos utilizados na ceia segundo a tradição judaica e dá a eles um novo sentido, um novo significado. Por tanto, enquanto caminhamos aqui na terra, passamos por essa realidade, é necessário cuidarmos tanto do corpo como da alma, do espírito.

Além de não fazer aliança com o sofrimento, nossa vida só tem sentido aqui na terra, se for vivida em função do outro, ou melhor, do serviço ao outro. Jesus Mestre e Senhor, se coloca a serviço de seus seguidores. Da mesma forma, cada seguidor de Jesus, durante a sua vida, deve fazer a experiência do serviço, da doação, do amor ao próximo e do amor a Deus.

Quarta-feira Santa – Ano A

Enquanto que na narração do episódio da traição de Judas Iscariotes, João nos ensina que o tempo de Deus não é o mesmo tempo que humanamente concebemos, Mateus narra o episódio da traição de forma que fique claro a todos que o traidor era Judas.

O mais interessante é a circunstância em que o anuncio da traição se dá, ou seja, na última ceia que Jesus tem com seus discípulos. Sem aprofundar muito o significado da ultima ceia com os discípulos, que será objeto de reflexão da quinta-feira santa, pode-se antecipar que ela representa um gesto de amor da parte de Deus que, através da eucaristia garante sua presença como alimento da vida cristã. Portanto, a morte de Jesus não deixará desamparado os seus discípulos, pois eles farão a ceia não mais em memória da libertação do Egito, mas como memória da libertação da morte, com a ressurreição de Jesus.

Verifica-se duas forças contrárias, antagônicas. Uma representada por Jesus que se doa por amor a todos sem interesse, e outra, Judas, representando a ausência de amor pelo outro. Pois trair a Jesus tendo em troca algumas moedas demonstra claramente que ele não tinha compreendido nada da mensagem de Jesus. Agiu pensando apenas no próprio bem estar, ignorando o significado de Jesus para os demais colegas do grupo.

Em um mesmo ambiente duas forças opostas. Amor e egoísmo, altruísmo e egoísmo. Revelando que a nossa realidade, no nosso presente, ainda se fazem presente essas forças. E que a cada momento somos chamados a escolher entre uma e outra. Tal como Judas que teve que escolher entre ser fiel a Jesus e pensar em si mesmo, cada cristão, diante dos impasses e das coisas boas que a vida apresenta deve escolher entre agradar a Deus ou agradar a si mesmo. É como escolher viver a vida segundo a vontade humana, segundo critérios humanos, ou viver a vida segundo a vontade de Deus, tendo como seu fundamento os mandamentos deixados por Ele.

As consequências relativas às escolhas são reveladas pela Sagrada Escritura e pela realidade presente, a cada eucaristia que se celebra. Que todo cristão, a cada eucaristia celebrada, possa revigorar sua escolha por viver a vida segundo a vontade divina e não se deixe levar pelas tentações humanas.