Muitas empresas já estão acordando para o lado espiritual de seus clientes internos e externos. Isso é muito bom, uma vez que a dimensão espiritual é parte constitutiva do ser humano. Mas é necessário esclarecer alguns pontos.
1- Algumas técnicas utilizadas por algumas filosofias religiosas ( o Budismo, o Taoismo, etc) buscam levar o indivíduo a um equilíbrio interior. Alcançar tal equilíbrio não significa necessariamente uma experiência religiosa, como eu a concebo.
2- O equilíbrio e o silêncio interior são prerrogativas para ambas as experiências e conseguem, em termos de produção, um resultado semelhante.
3- Além do compromisso consigo mesmo, uma experiência religiosa, a partir do silêncio interior, leva o indivíduo a fazer uma análise de sua vida e de seu comportamento, a partir de referenciais religiosos e não simplesmente referenciais administrativos.
4- O exercício de interiorização pode e deve conduzir à pessoa a uma paz interior, que refletirá em seu comportamento, mas está longe de ser o encontro com o Absoluto, com um Deus etc.
5- A experiência religiosa nos amarra com um compromisso social. Ou seja, após a experiência, o crente sente-se alimentado para ser e dar testemunho além dos limites da empresa.
6- Não podemos atribuir os resultados produzidos pelo empregado, que faz uma experiência introspectiva, como conseqüência de uma experiência religiosa. A experiência religiosa vai muito além da introspecção.
No entanto é louvável a atitude dos empresários que possibilitam exercícios de introspecção à seus funcionários. Pois é um dos passos que antecede a experiência religiosa, a saber, o silencia interior.
Paulo Sérgio de Faria – Filósofo e Teólogo
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