Querido Papai Noel.
Venho por meio desta lhe pedir alguns presentes. Mas são presentes um pouco diferente dos desejados hoje em dia. Pode até parecer estranho e, quem sabe, você nem mais os tenha em estoque. Em todo caso estou pedindo, pois como diz a música: “Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem”. Isso deve ser verdade, caso contrário a música nem mais seria cantada.
Na casa de meus amigos tem TV de Plasma e também de LCD. E através dela eles veem o mundo segundo a visão dos produtores de programas, do telejornal as novelas, filmes e propagandas. Mas eu não quero a TV, mas saúde para os meus olhos e ouvidos a fim de poder ver o e ouvir o mundo do meu jeito. A ideia que eu faço do mundo é bem diferente da ideia que tentam me colocar na cabeça.
Os portões das casas de meus amigos são motorizados e bastante cômodos para os dias de chuva. Mas eu não quero o motor, mas força nas mãos e nos pés para abrir quantas vezes forem necessárias o portão lá de casa. E, enquanto o abro, quero olhar a paisagem que cerca minha casa, meus vizinhos, saudá-los, comprimentá-los, para que ao entrar dentro de casa eu tenha algo mais para comungar com minha família.
Meus amigos ganham uma quantidade imensa de presentes de natal e nem conseguem brincar com todos durante o ano. Eu não quero tantos brinquedos, mas a humildade e compreensão para aceitar o brinquedo que meus pais puderem comprar. Na certeza de que o simples para mim é o máximo para eles, ao desejarem a minha felicidade. Pois mais importante que o presente é o gesto de oferecê-lo.
Dois carros ocupam a garagem da casa de meus amigos. Um é do pai e o outro da mãe. E cada um deles se sentem livres para ir onde quiser, a qualquer hora e momento, sem incomodar o outro. Eu não quero outro carro para a garagem da minha casa. Mas que meu pai possa fazer a manutenção anual do carro que já temos. E que eles possam sempre conversar um com o outro, desenvolvendo a arte do diálogo, partilhando e organizando o tempo, sabendo que a saída de um deve ser realizada em conformidade com o compromisso do outro. E que o carro, além de um veículo de transporte, seja a oportunidade de nos sentirmos família pelo diálogo.
A mesa da ceia de natal de alguns de meus amigos, Papai Noel, nem te conto. Frutas importadas, vinhos caríssimos, panetones da Itália, e tantas outras delícias. Mas não quero isso não! E nem caberia tanta coisa na sua pequena sacola. O que eu quero mesmo, é poder juntar aquilo que temos em casa para a ceia, com aquilo que a vizinha dona Eunice tem. E quero convidar outros vizinhos também para não perdermos o espírito do Natal. Pois nessa data Deus partilhou sua divindade com a humanidade e nós, aqui de baixo, partilhamos nossa humanidade, inspirados na divindade de cima.
Desculpa Papai Noel se dei um nó na sua cabeça com essas ultimas palavras. Mas não podemos festejar o Natal sem lembrar do homenageado. É Jesus o mais importante de Tudo!
Se tiver dificuldade de entender minha carta e, juntamente com ela, os meus pedidos, peça a Mamãe Noel para te ajudar. Pois as mulheres , como o foi Nossa Senhora, são bem mais sensíveis para compreender os verdadeiros pedidos que partem do coração.
Muito obrigado Papai Noel por você existir.
Atenciosamente
Armando Nascimento de Jesus