A situação do atendimento das crianças na casa amarela está cada vez mais delicada por diversas razões. Uma delas é o despreparo de uma equipe que, a-toque-de-caixa, colocaram numa folha (que nem timbre da UFPR tinha) algumas possibilidades de atendimento. Digo possibilidades, pois, segundo a fala do vice-reitor tudo está em processo de mudança.
Assim ocorreu a reunião no dia 23/09/2009 às 19h00:
Éramos em torno de uns 15 ou mais pais aguardando uma reunião onde o vice-reitor apresentaria a nova equipe e o “novo projeto” para ser discutido.
Depois de um discurso inicial evasivo, superficial e contraditório, no qual afirmava ter coisas melhores que o antigo projeto da FUNPAR à apresentar aos pais, para o acompanhamento das crianças com Síndrome de Down, iniciou a apresentação dos professores/profissionais que o acompanhavam. E sempre fazia questão de dizer que eram muito mais. Não permitindo interferências. Insistiu que o Projeto anterior da FUNPAR, aquele que estava dando certo, tinha que ser esquecido. Quando respondi: Como posso esquecer algo bom que era realizado? Aliás, era e é o meu parâmetro e dos demais pais presentes!
A seguir, os pais começaram a fazer perguntas aos profissionais que, sobre o antigo projeto nada sabiam ou entendiam, visto que, no início da reunião passaram uma lista onde devíamos colocar o que nossas crianças faziam e de que elas mais gostavam. Ou seja, acabavam de assinar o atestado de incompetência. Uma vez que minha filha tem apenas 5 anos e não consegue ainda formar frases oralmente. Corrigi um dos papéis trocando o que mais gostava pelo que mais necessitava.
Outra questão a ser levantada é que na fala do vice-reitor a relação UFPR e FUNPAR era harmoniosa quando na realidade não é bem assim. O responsável pelo projeto anterior que estava dando certo, por exemplo, não se fazia presente. Que harmonia é essa? O que pode revelar a existência de rixa, conflito, competição, inveja que tentam amenizar com palavras doces.
A apelação ocorria por parte do vice-reitor dizendo que eram as dívidas da FUNPAR que impedia a continuação do projeto anterior. Mas não podemos esquecer que com, ou sem dívidas, o timbre a UFPR e da FUNPAR sempre estiveram juntos nos folders e placas na Casa Amarela. De modo que é insano, por parte do vice-reitor, afirmar implicitamente que a culpa pelo projeto não prosseguir é da administração da FUNPAR. Ou seja, enquanto não tem dívidas, que lindo eles publicarem nossa “marca”, mas agora, dane-se, lavamos nossas mãos!A cumplicidade entre as duas instituições existe e não é a mudança de gestão que irá apagá-la.
Outro ponto a considerar é que da reunião não foi feita nenhuma ata, o que revela o desprezo e o não comprometimento da fala com a prática. Pois quando apenas se fala, em caso de reivindicação, fica o dito pelo não dito.
A preocupação dos pais era com relação ao profissional que se faria presente nos trabalhos com as crianças e não teve como resposta de nenhum profissional ali presente: Eu estarei aqui! De modo que as crianças ficarão sob a supervisão de profissionais que sequer aparecerão na casa. Certamente o estagiário fará o trabalho que, no antigo projeto, era feito por profissionais.
E por ultimo, o que mais mexeu com meus sentimentos como pai da Ana Helena, foi querer que trocássemos um projeto de mais de quarenta páginas com fundamentação teórica e legal, por uma folha mal escrita que nem timbre da UFPR tinha. Isso é subestimar por demais a inteligência dos pais das crianças especiais. Eis a razão do título sugerido à matéria.
Sendo assim, não é justo que por questões políticas e/ou até pessoais, não esclarecidas, as crianças sofram com a ausência de atendimento qualificado. O atendimento é dever do Estado e por isso nós, pais, iremos lutar até o fim para que o projeto continue.
Paulo Sérgio de Faria
Mestre em Filosofia